Chegou a hora do desfralde! E agora?

O momento da retirada das fraldas é um grande marco no desenvolvimento infantil, é sinal de mais independência e autonomia. Tal momento, no entanto, é permeado por muitos questionamentos na maioria das famílias: qual é o momento certo; Será que ele está preparado; Quando começar e o que posso fazer para ajudá-lo são alguns dos questionamentos presentes nesse momento.

A primeira orientação é que os adultos tentem encarar essa fase com a maior naturalidade possível. Quanto mais tranquilidade passarmos para as crianças, mais fácil será o processo de desfralde. Outro ponto fundamental é que não podemos esquecer de respeitar a individualidade e o ritmo de cada criança.  Geralmente, o desfralde costuma acontecer entre dois anos e meio e três anos, mas isso não é uma regra absoluta. Algumas crianças podem se mostrar prontas um pouco antes ou um pouco depois. Existem alguns sinais que podem nos ajudar a observar se a criança está pronta para deixar as fraldas. Entre eles estão:

  • Apresenta habilidade motora para vestir e despir roupas simples;
  • Percebe quando está urinando ou defecando, ou se mostra sensível ao fato de estar molhada;
  • Apresenta habilidade em comunicar-se, dizendo ou demonstrando a sua própria maneira que fez xixi ou cocô ou que quer usar o banheiro;
  • Demonstra curiosidade com o vaso sanitário;
  • Consegue seguir instruções simples, como tirar a bermuda e sentar no peniquinho;
  • Demonstra interesse por “ser grande” e usar cuecas ou calcinhas.

Outro ponto importante na escolha do momento de iniciar o desfralde é que a criança não esteja passando por nenhuma outra grande mudança em sua vida,  como mudança de escola, casa ou chegada de um irmão.

A criança precisará entender que já que capaz de controlar a eliminação do xixi e do cocô. Para que tudo acorra da forma mais tranquila possível, procure preparar a criança, converse com ela explicando que agora irá usar o banheiro ou peniquinho, pois já não é mais um bebê, e apresente o banheiro, o vaso sanitário, o penico ou o adaptador que ela usará. Um ótima estratégia é utilizar livros infantis que tratem do tema. Exemplo de livros são o “Coco no trono” (Charlot, B.) e  “O xixi da Lulu” (Camiel Ried) . Outra estratégia interessante é oferecer livrinhos de seu interesse quando for ao banheiro, o que pode deixar o processo mais divertido.

Para começar, procure deixá-la sem fralda por alguns momentos do dia, perguntando-a se gostaria de fazer xixi e levando-a quando ela comunicar que está com vontade. Observe os momentos do dia nos quais a criança evacua e procure incentivar que diga quando está com vontade.

Na escola ou em outros ambiente, sempre deixe roupas extras disponíveis para troca caso haja necessidade. É comum no processo de desfralde acontecer os “acidentes”, quando não dá tempo da criança chegar ao banheiro ou peniquinho. Nessas situações, procure agir com naturalidade e não brigue com a criança. Diga a ela que não tem problema e que logo logo isso não acontecerá mais.

Outro ponto muito importante é que todos os adultos envolvidos no cuidado com a criança estejam de acordo e preparados para o início do desfralde. Papai, mamãe, avós, babá devem entrar em um consenso e procurar ter um discurso semelhante no que diz respeito a retirada da fralda e o uso do banheiro a fim de que a criança não fique confusa com o processo.

Por fim, haja com tranquilidade, respeitando o ritmo e a individualidade da criança.

Texto escrito por nossa psicóloga Ana Carolina Girão Romero – CRP-11/05928

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Educando com amor: como ajudar seus filhos a desenvolver autonomia.

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Presenciar uma criança organizando seus brinquedos, servindo um prato de comida, trocando de roupa, tomando banho, dentre várias outras atividades, é muito interessante, pois podemos notar o quanto se envolve, buscando várias tentativas e estratégias para conseguir o que deseja.

No entanto, é comum observarmos pais que por amor acabam superprotegendo as crianças, deixando pouco espaço para  que cresçam e tornarem-se independentes. Algumas  vezes, os pequenos até manifestam a vontade de fazer por si só, mas os adultos não permitem.

As facilidades proporcionadas por alguém que os acompanha o dia todo, fazendo todas as suas vontades, pode atrapalhar o desenvolvimento das crianças, fazendo com que se acostumem à situação cômoda de receber tudo nas mãos ou de sempre ter alguém para fazer tudo, tornando-as desinteressadas ou deixando-os inibidos e sem coragem para tentar e arriscar.

Além disso, no dia a dia as crianças são convidadas com frequência para passear na casa de amigos, irem a festinhas de aniversários, ao cinema, onde irão precisar de certa independência. Quando não a possuem, podem manifestar insegurança para saírem sozinhas de casa.

É importante que os pais permitam que, aos poucos, as crianças realizem algumas atividades de sua rotina com certa independência, tais como tomar banho, arrumar o material escolar, guardar brinquedos, vestir-se sozinhas, etc. O ideal é que quando as crianças forem realizar uma atividade que exija maiores cuidados, estejam acompanhadas de um adulto, que vá orientando passo a passo, até que consigam fazer sozinhas.

Para aprender uma nova habilidade, como escovar os dentes ou arrumar a mochila para a escola, os pais devem supervisionar inicialmente, orientando e mostrando o passo a passo, mas não fazendo pela criança. A medida que a criança vai aprendendo e sentindo-se mais segura, os pais podem diminuir gradativamente o nível da orientação.

Muitas vezes, é difícil ver os filhos errando ou tendo dificuldade em realizar alguma tarefa, mas é de fundamental importância para o desenvolvimento das crianças que os pais tenham paciência e lhes permitam enfrentar desafios, para que no futuro possam ser mais seguros e independentes.

Algo que também pode ajudar bastante do desenvolvimento da autonomia e independência das crianças é dar a elas pequenas atividades e responsabilidades na rotina da família. Exemplos simples são colocar a roupa usada no local correto, guardar os brinquedos diariamente, arrumar a própria cama, ajudar a tirar a louça da mesa, entre outras atividades. Importante lembrar que o nível de dificuldade da atividade varia de acordo com a idade, assim como a necessidade auxílio e supervisão dos pais.

Os filhos caminham para onde os pais lhes permitem ir. Não esqueça de permitir que seus filhos cresçam com autonomia, mas lembre-se, quando falamos de crianças, o desenvolvimento da independência, autonomia e segurança caminham juntos com suporte e afeto da família.

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Post feito pela nossa Psicóloga Ana Carolina Girão Romero. CRP-11/05928

Conversando com filhos adolescentes: algumas orientações.

                É comum ouvir pessoas falando da adolescência como uma fase de “rebeldia”, na qual os jovens não escutam os pais e tem os amigos como principal ou única influencia. No entanto, é muito importante saber que nem sempre é assim!

                De fato a adolescência é uma fase com algumas dificuldade características, pois está cheia de transformações físicas e emocionais. Algumas pessoas passam de forma mais “tranquila” por esse momento, outras vivenciam isso de forma mais profunda. É um processo único para cada pessoa, ou seja, é importante observar as características individuais de seu filho e lembrar também das características positivas comuns nessa fase, tais como a curiosidade, a imaginação e a energia.

                Um ponto fundamental na relação com o filho adolescente é procurar não rotulá-lo ou fazer prognósticos negativos, como por exemplo “você é muito preguiçoso” ou “tenho certeza que não passará de ano na escola”. Isso não vai ajudá-lo a mudar de comportamento, e sim a construir uma imagem negativa de si mesmo. Se você acha que ele não está estudando, por exemplo, ajude-o a elaborar estratégias para melhorar isso. Explique o que não está gostando, especifique o comportamento e o que pode ser feito a respeito.

                Não existe uma “receita” de como lidar com cada faixa etária e muito menos com cada crianças ou adolescente, pois, como já dito aqui, cada sujeito vivencia cada fase de forma única e é importante sempre avaliar cada contexto. Mas no que diz respeito a conversar com o adolescente sobre regras e limites existem alguns pontos importantes,  que são sempre válidos e podem ajudar os pais. Entres eles estão:

  • As regras devem ser claras e objetivas: explique para o adolescente o que você espera dele;
  • Faça combinados com antecedência e lembre-se de cumpri-los: Ex. “você vai a festa no final de semana se estudar 2 horas por dia durante a semana”;
  • Seja firme e consistência: apresente as regras e suas consequências caso não sejam cumpridas: Ex “se não chegar no horário combinado, não vai a próxima festa”. Pense bem antes de dizer sim ou não e de combinar algo e procure manter sua posição;
  • Pais, avós, tios e demais responsáveis devem sempre ter um discurso coeso;
  • Procure não compará-lo com outros jovens “exemplares”;
  • Lembre-se de valorizar e elogiar! Isso é importante sempre!
  • Converse com ele, se coloque disponível para ouvi-lo e lembre-se de todas as transformações e dúvidas que ele provavelmente está sentindo. Pode não parecer, mas eles querem ser compreendidos pelos pais.
  • Procure não fazer um interrogatório, mas preocupe com o que de fato é importante, como saber onde ele está e se não está usando drogas por exemplo.
  • Para finalizar, não esqueça que ele espera que você seja a pessoa que fixe os limites. Ele precisa!

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Post feito pela nossa Psicóloga Ana Carolina Girão Romero. CRP-11/05928

Psicoterapia Infantil: como funciona?

Cada vez mais, pais e responsáveis procuram a ajuda de profissionais especializados  para compreender melhor o comportamento de seus filhos, melhorando o bem-estar das crianças e adolescentes e favorecendo uma interação de qualidade dentro de suas famílias.

Ao contrário do que muitos pensam, as crianças e adolescentes também apresentam dificuldades emocionais e têm a necessidade de aprender a expressar seus sentimentos de forma saudável. A psicoterapia infantil é uma especialidade dentro da Psicologia que, a partir de técnicas lúdicas e métodos específicos, ajuda crianças a encontrarem caminhos para se sentirem melhor, auxiliando na aquisição de novas habilidades para enfrentamento de situações problema. Crianças que apresentam um maior equilíbrio emocional, apresentam um desenvolvimento mais saudável, assim como aprendem com maior facilidade.

É através do brincar que as crianças aprendem a expressar seus sentimentos e processam as situações vivenciadas em seu dia a dia. Assim, na psicoterapia infantil o terapeuta deve possuir habilidades específicas, tendo sempre a mão um grande leque de recursos lúdicos a serem utilizados nas sessões com as crianças, tais como fantoches, desenho,  pintura, jogos diversos, entre outros, de acordo com a faixa etária e os interesses de cada cliente.

 Sabe-se, no entanto, que o comportamento das crianças está extremamente ligado a relação estabelecida com seus cuidadores e os modelos vivenciados em sua rotina. Dessa forma, a participação dos pais durante o processo de psicoterapia infantil é também de fundamental importância. São realizadas sessões de orientação com os pais, e algumas vezes sessões conjuntas com o terapeuta, a criança e os pais. Nas sessões de orientação, os pais os pais têm a oportunidade de refletir junto ao terapeuta sobre sua relação com a criança, assim como entender melhor o que pode estar gerando ou ajudando a manter o problema. É importante enfatizar ainda que todo o ambiente no qual a criança está inserida deve ser compreendido, sendo também foco da intervenção. Assim, outros familiares podem ser convidados a vir para as sessões, e a escola pode ser contactada pelo terapeuta.

Uma questão muito comum é qual a melhor hora para procurar um psicoterapeuta infantil. Geralmente, isto ocorre quando algum comportamento fora do usual é observado, e o contato com o psicoterapeuta pode ocorrer de forma espontânea, por uma iniciativa da própria família, ou por encaminhamento da escola ou de outro profissional que venha acompanhando a criança. Os motivos são diversos, entre eles: baixo rendimento escolar, dificuldade de socialização com outras crianças, comportamentos agressivos, ansiedade, hiperatividade, enurese noturna, grandes mudanças na rotina (separação dos pais ou morte na família), entre outras situações. Em todos os casos, o terapeuta vai procurar auxiliar a criança a encontrar novas estratégias de comportamento para lidar com o problema. É importante lembrar que a psicoterapia pode agir de preventiva, evitando problemas familiares e de comportamento nas crianças, ou reduzindo dificuldades já instaladas. Na dúvida, a melhor opção é sempre procurar um profissional especializado.

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Post feito pela nossa Psicóloga Ana Carolina Girão Romero. CRP-11/05928