Conversando com filhos adolescentes: algumas orientações.

                É comum ouvir pessoas falando da adolescência como uma fase de “rebeldia”, na qual os jovens não escutam os pais e tem os amigos como principal ou única influencia. No entanto, é muito importante saber que nem sempre é assim!

                De fato a adolescência é uma fase com algumas dificuldade características, pois está cheia de transformações físicas e emocionais. Algumas pessoas passam de forma mais “tranquila” por esse momento, outras vivenciam isso de forma mais profunda. É um processo único para cada pessoa, ou seja, é importante observar as características individuais de seu filho e lembrar também das características positivas comuns nessa fase, tais como a curiosidade, a imaginação e a energia.

                Um ponto fundamental na relação com o filho adolescente é procurar não rotulá-lo ou fazer prognósticos negativos, como por exemplo “você é muito preguiçoso” ou “tenho certeza que não passará de ano na escola”. Isso não vai ajudá-lo a mudar de comportamento, e sim a construir uma imagem negativa de si mesmo. Se você acha que ele não está estudando, por exemplo, ajude-o a elaborar estratégias para melhorar isso. Explique o que não está gostando, especifique o comportamento e o que pode ser feito a respeito.

                Não existe uma “receita” de como lidar com cada faixa etária e muito menos com cada crianças ou adolescente, pois, como já dito aqui, cada sujeito vivencia cada fase de forma única e é importante sempre avaliar cada contexto. Mas no que diz respeito a conversar com o adolescente sobre regras e limites existem alguns pontos importantes,  que são sempre válidos e podem ajudar os pais. Entres eles estão:

  • As regras devem ser claras e objetivas: explique para o adolescente o que você espera dele;
  • Faça combinados com antecedência e lembre-se de cumpri-los: Ex. “você vai a festa no final de semana se estudar 2 horas por dia durante a semana”;
  • Seja firme e consistência: apresente as regras e suas consequências caso não sejam cumpridas: Ex “se não chegar no horário combinado, não vai a próxima festa”. Pense bem antes de dizer sim ou não e de combinar algo e procure manter sua posição;
  • Pais, avós, tios e demais responsáveis devem sempre ter um discurso coeso;
  • Procure não compará-lo com outros jovens “exemplares”;
  • Lembre-se de valorizar e elogiar! Isso é importante sempre!
  • Converse com ele, se coloque disponível para ouvi-lo e lembre-se de todas as transformações e dúvidas que ele provavelmente está sentindo. Pode não parecer, mas eles querem ser compreendidos pelos pais.
  • Procure não fazer um interrogatório, mas preocupe com o que de fato é importante, como saber onde ele está e se não está usando drogas por exemplo.
  • Para finalizar, não esqueça que ele espera que você seja a pessoa que fixe os limites. Ele precisa!

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Post feito pela nossa Psicóloga Ana Carolina Girão Romero. CRP-11/05928

Psicoterapia Infantil: como funciona?

Cada vez mais, pais e responsáveis procuram a ajuda de profissionais especializados  para compreender melhor o comportamento de seus filhos, melhorando o bem-estar das crianças e adolescentes e favorecendo uma interação de qualidade dentro de suas famílias.

Ao contrário do que muitos pensam, as crianças e adolescentes também apresentam dificuldades emocionais e têm a necessidade de aprender a expressar seus sentimentos de forma saudável. A psicoterapia infantil é uma especialidade dentro da Psicologia que, a partir de técnicas lúdicas e métodos específicos, ajuda crianças a encontrarem caminhos para se sentirem melhor, auxiliando na aquisição de novas habilidades para enfrentamento de situações problema. Crianças que apresentam um maior equilíbrio emocional, apresentam um desenvolvimento mais saudável, assim como aprendem com maior facilidade.

É através do brincar que as crianças aprendem a expressar seus sentimentos e processam as situações vivenciadas em seu dia a dia. Assim, na psicoterapia infantil o terapeuta deve possuir habilidades específicas, tendo sempre a mão um grande leque de recursos lúdicos a serem utilizados nas sessões com as crianças, tais como fantoches, desenho,  pintura, jogos diversos, entre outros, de acordo com a faixa etária e os interesses de cada cliente.

 Sabe-se, no entanto, que o comportamento das crianças está extremamente ligado a relação estabelecida com seus cuidadores e os modelos vivenciados em sua rotina. Dessa forma, a participação dos pais durante o processo de psicoterapia infantil é também de fundamental importância. São realizadas sessões de orientação com os pais, e algumas vezes sessões conjuntas com o terapeuta, a criança e os pais. Nas sessões de orientação, os pais os pais têm a oportunidade de refletir junto ao terapeuta sobre sua relação com a criança, assim como entender melhor o que pode estar gerando ou ajudando a manter o problema. É importante enfatizar ainda que todo o ambiente no qual a criança está inserida deve ser compreendido, sendo também foco da intervenção. Assim, outros familiares podem ser convidados a vir para as sessões, e a escola pode ser contactada pelo terapeuta.

Uma questão muito comum é qual a melhor hora para procurar um psicoterapeuta infantil. Geralmente, isto ocorre quando algum comportamento fora do usual é observado, e o contato com o psicoterapeuta pode ocorrer de forma espontânea, por uma iniciativa da própria família, ou por encaminhamento da escola ou de outro profissional que venha acompanhando a criança. Os motivos são diversos, entre eles: baixo rendimento escolar, dificuldade de socialização com outras crianças, comportamentos agressivos, ansiedade, hiperatividade, enurese noturna, grandes mudanças na rotina (separação dos pais ou morte na família), entre outras situações. Em todos os casos, o terapeuta vai procurar auxiliar a criança a encontrar novas estratégias de comportamento para lidar com o problema. É importante lembrar que a psicoterapia pode agir de preventiva, evitando problemas familiares e de comportamento nas crianças, ou reduzindo dificuldades já instaladas. Na dúvida, a melhor opção é sempre procurar um profissional especializado.

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Post feito pela nossa Psicóloga Ana Carolina Girão Romero. CRP-11/05928